Imagens inéditas do drama no resgate em Niterói
Este é o homem retirado com vida pelos bombeiros: seu Edmo, 65 anos, está vivendo na casa da patroa da mulher dele. As pernas ainda estão machucadas, mas a memória está intacta.
“Aquela noite foi a noite mais terrorizante do mundo. Um cara ficou de cabeça pra baixo, com uma luz. Me apanhou, abriu e consegui tirar minhas pernas de onde estava. Se ninguém não me tira, eu morro lá, porque já tinha gás, o gás estourou, eu fiquei com a boca seca e pensei, agora eu to morto, mas acredito no senhor”, diz o comerciante.
O bar que ele tinha foi destruído e a família agora vai viver só com o salário da mulher e a pensão que seu Edmo recebe do INSS. Ele diz que é pouco, mas que o que realmente importa ele ainda tem: a vida. “Eu nasci naquele dia depois que vocês me tiraram. Comecei agora. Hoje não tenho nada, mas tenho agora minha vida, filhas e esposa. Daqui pra frente vou viver nova vida. Nasci de novo”, diz ele.. Queliana, a mulher que falou por telefone com Ronaldo, morava no pé do Morro do Bumba. Os bombeiros localizaram os documentos dela na casa soterrada. Ela tinha saído de lá quando ouviu o primeiro estrondo. “Barulho de arvore, casa caindo, devastando tudo. Parecia um tsunami. Corremos para frente, vai descer também de onde estávamos. A gente correu, quando a gente chegou na frente da casa, já estava tudo tomado”, diz Queliana Botelho da Silva, operadora de caixa. “Quando eu cheguei lá em baixo e falei: minha mãe! Minha mãe morreu com meu irmão. Quando eu encontrei minha mãe, foi tudo. Minha mãe com meu irmão. Todo mundo conseguiu sair com vida dali, pra mim, a gente nasceu de novo”, se emociona. A família toda está na casa do irmão de Queliana. “A união, o amor de um para o outro mudou muita coisa”, diz o irmão de Queliana. Seu Tião ainda está desaparecido. A mulher, a filha e o neto que viviam com ele escaparam, e agora estão na casa de parentes. “As pessoas que nos ajudaram foram as vitimas. O de amarelo é o Zé. Ele foi encontrado, ferido e a esposa dele tomava conta de crianças. A casa dele era um creche. E falaram que nessa creche tinha 8 crianças. Desabou”, conta a filha de Tião, Adenilza Geremias. “Eu queria sair de lá sem nada, mas com meu pai. A gente começa tudo de novo”, diz ela. “Quando você tem família você tem forças. Mas quando você perde alguém da sua família, você não sabe nem como começar”, diz Adilson Geremias, filho de Tião.